PALAVRA DO PASTOR - Dom Paulo Cezar Costa
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QUARESMA: UM PERCURSO ESPIRITUAL
Estamos iniciando este tempo forte de conversão, a quaresma. No Brasil, tem-se a campanha da fraternidade, que nos convida a refletir sobre o tema: Fraternidade e Moradia. É a conversão que deve atingir todas as dimensões da vida humana. Papa Francisco, na homilia seguinte, nos propõe um percurso de conversão. Diz ele: “O Evangelho de hoje indica os elementos deste percurso espiritual: a oração, o jejum e a esmola (cf. Mt 6,1-6.16-18). Esses três elementos exigem a necessidade de não nos deixarmos dominar pelas aparências: o que conta não é a aparência; o valor da vida não depende da aprovação dos outros nem do sucesso, mas daquilo que temos dentro de nós.
O primeiro elemento é a oração. A oração é a força do cristão e de cada pessoa crente. Na debilidade e fragilidade da nossa vida, podemos dirigir-nos a Deus com confiança filial e entrar em comunhão com Ele. Diante de tantas feridas que nos angustiam e que poderiam tornar o nosso coração insensível, somos chamados a mergulhar no mar da oração, que é o oceano do Amor ilimitado de Deus, para saborear a sua ternura. A Quaresma é tempo de oração, de uma prece mais intensa, mais prolongada, mais assídua e mais capaz de nos tornar responsáveis pelas necessidades dos irmãos; prece de intercessão, a fim de rogar a Deus por tantas situações de pobreza e de sofrimento.
O segundo elemento qualificativo do caminho quaresmal é o jejum. Devemos estar atentos a não praticar um jejum formal, ou que na verdade nos ‘sacia’ porque nos faz sentir bons. O jejum só tem sentido se incide deveras sobre a nossa segurança, mas também se beneficiar o nosso próximo, se nos ajudar a cultivar o estilo do bom Samaritano, que se inclina sobre o irmão em dificuldade e cuida dele. O jejum comporta a escolha de uma vida sóbria, segundo o seu estilo: uma existência que não desperdiça, uma vida que não ‘descarta’. Jejuar ajuda-nos a treinar o coração para a essencialidade e a partilha. [...]
Terceiro elemento, a esmola: ela indica a gratuidade, porque na esmola damos a alguém de quem nada esperamos receber em troca. A gratuidade deveria ser uma das características do cristão, que, consciente de ter recebido tudo de Deus gratuitamente, ou seja, sem qualquer mérito, aprende também a doar aos outros de modo gratuito. Hoje muitas vezes a gratuidade não faz parte da vida diária, onde tudo se vende e tudo se compra. Tudo é cálculo e medida. A esmola ajuda-nos a viver a gratuidade do dom, que é liberdade da opressão da posse, do medo de perder aquilo que possuímos, da tristeza de quem não quer compartilhar o seu bem-estar com o próximo.
Com os seus convites à conversão, providencialmente, a Quaresma desperta-nos, acorda-nos do torpor e do risco de irmos em frente por inércia. A exortação que o Senhor nos dirige através do profeta Joel é vigorosa e clara: ‘Voltai para mim com todo o vosso coração’ (Jl 2,12). Por que motivo devemos voltar para Deus? Porque algo não funciona em nós, na sociedade e na Igreja, e porque temos necessidade de mudar, de fazer uma transformação. E isso chama-se precisar de conversão!” (Papa Francisco, homilia de 3 de março de 2014).
Dom Paulo Cezar Costa
Arcebispo Metropolitano de Brasília
Obs.: a Palavra do Pastor, reproduzida neste post, foi extraída do folheto O Povo de Deus do dia 18 de fevereiro de 2026 - página 4.











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