Palavra do Pastor - Eu Sou a Luz do Mundo
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Por Cardeal Dom Paulo Cezar Costa
Arcebispo Metropolitano de Brasília
Papa Francisco nos ajuda a entrarmos no mistério deste Evangelho. Diz ele: “No centro da liturgia deste quarto domingo de Quaresma está o tema da luz. O Evangelho (cf. Jo 9,1-41) relata o episódio do cego de nascença, ao qual Jesus dá a vista. Este sinal milagroso é a confirmação das palavras de Jesus que diz de si mesmo: «Eu sou a luz do mundo» (v. 5), a luz que ilumina as nossas trevas. Este é Jesus. Ele realiza a iluminação em dois níveis: um físico e um espiritual: primeiro o cego recebe a visão dos olhos e depois é elevado à fé no «Filho do Homem» (v. 35), ou seja, em Jesus. É todo um caminho. [...] Os prodígios que Jesus realiza não são gestos espetaculares, mas destinam-se a conduzir à fé através de um caminho de transformação interior.
Os doutores da lei — que estavam lá, um grupo — persistem em não admitir o milagre, e fazem perguntas insidiosas ao homem curado. Mas ele desconcerta-os com a força da realidade: «Uma coisa eu sei: havendo sido cego, agora vejo» (v. 25). Entre a desconfiança e a hostilidade dos que o rodeiam e o interrogam incrédulos, ele realiza um itinerário que gradualmente o leva a descobrir a identidade d’Aquele que lhe abriu os olhos e a confessar a fé nele. Primeiro considera-o profeta (cf. v. 17); depois reconhece-o como alguém que vem de Deus (cf. v. 33); por fim acolhe-o como o Messias e prostra-se diante dele (cf. vv. 36-38). Compreende que ao dar-lhe a visão Jesus «manifestava nele as obras de Deus» (cf. v. 3).
Que também nós possamos fazer esta experiência! Com a luz da fé, aquele que era cego descobre a sua nova identidade. Ele é agora uma “nova criatura”, capaz de ver a sua vida e o mundo ao seu redor sob uma nova luz, porque entrou em comunhão com Cristo, entrou noutra dimensão. Ele já não é um mendigo marginalizado pela comunidade; já não é um escravo da cegueira e do preconceito. O seu caminho de iluminação é uma metáfora para o caminho de libertação do pecado a que somos chamados. O pecado é como um véu escuro que cobre o nosso rosto e nos impede de ver claramente a nós mesmos e o mundo; o perdão do Senhor tira este manto de sombra e escuridão e restitui-nos nova luz. A Quaresma que estamos a viver seja um tempo oportuno e precioso para nos aproximarmos do Senhor[...].
O cego curado, que agora vê com os olhos do corpo e da alma, é a imagem de todos os batizados que, imersos na Graça, foram arrancados das trevas e colocados na luz da fé. Mas não é suficiente receber a luz, é preciso tornar-se luz. Cada um de nós é chamado a receber a luz divina a fim de a manifestar com toda a nossa vida. Os primeiros cristãos, os teólogos dos primeiros séculos, disseram que a comunidade dos cristãos, ou seja, a Igreja, é o “mistério da lua”, porque dá luz mas não tinha luz própria, era a luz que recebia de Cristo. Também nós devemos ser «mistério da lua»: dar a luz recebida do sol, que é Cristo, Senhor. [...]” (Papa Francisco, Angelus de 22 de março de 2020).

(Mensagem Veiculada no Folheto Litúrgico da Arquidiocese Metropolitana de Brasília de 15 de março de 2026 - DOWNLOAD disponível no link abaixo)
P.S. – Leituras da Semana / Informativo O Povo de Deus
Seg.: Is 65,17-21; Sl 29(30), 2 e 4.5-6.11.12ª e 13º; Jo 4,43-54;
Ter.: Ez 47, 1-9.12; Sl 45(46), 2-3.5-6.8-9; Jo 5,1-16;
Qua.: Is 49,8-15; Sl 144(145), 8-9.13cd-14.17-18; Jo 5,17-30;
Qui.: 2Sm 7,4-5a.12-14a.16; Sl 88(89), 2-3.4-5.27 e 29 (R. 37); Rm 4,13.16-18.22; Lc 2,41-51a.
SÃO JOSÉ, ESPOSO DA BEM-AVENTURADA VIRGEM MARIA,
Padroeiro da Igreja Universal
Sex.: Sb 2,1a.12-22; Sl 33(34), 17-18. 19-20.21.23; Jo 7,1-2.10.25-30;
Sáb.: Jr 11,18-20; Sl 7,2-3.9bc-10.11-12; Jo 7,40-53.





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