Palavra do Pastor - Lázaro vem para fora
- 21 de mar.
- 3 min de leitura

Por Cardeal Dom Paulo Cezar Costa
Arcebispo Metropolitano de Brasília
O Evangelho deste domingo nos apresenta Jesus que dá a vida a Lázaro, morto já há quatro dias (Jo 11,1-45). O Evangelho se desenvolve com uma revelação messiânica fundamental de Jesus aos discípulos, à família de Betânia e aos judeus que lá se encontravam: “Eu sou a ressurreição” (Jo 11,25). O texto se desenrola em três momentos: notícia da morte de Lázaro a Jesus, que está fora de Betânia; encontro de Jesus com Marta e Maria; Jesus que dá a vida a Lázaro.
O texto se inicia apresentando a família de Betânia, família amiga de Cristo. Lázaro estava doente, mas Jesus não estava na cidade. As duas irmãs mandam dizer-lhe:
“Senhor, aquele que amas está doente” (Jo 11,3). Jesus era amigo de Lázaro. A amizade é um dom gratuito. O que Lázaro teria feito para conquistar essa amizade? O cardeal Martini respondia que o camarada é que se deixara amar por Cristo. Jesus amava a família, o texto diz expressamente: “Jesus amava Marta e sua irmã e Lázaro” (Jo 11,5). O próprio Cristo diz aos discípulos que seu amigo morreu (Jo 11,14). Mas a seguir ele realizará um sinal, um milagre que fortalecerá a fé dos discípulos. Segue então para Betânia e, antes que chegue, Marta já lhe vai ao encontro e desabafa: “Senhor, se estivesses aqui, meu irmão não teria morrido. Mas ainda agora eu sei que tudo que pedires a Deus, ele te concederá” (Jo 11,22). Marta é uma mulher de fé; ela crê em Jesus, mas hesita diante de sua afirmação: “Teu irmão ressuscitará” (Jo 11,23).
Jesus agora se revela como aquele que é ressurreição: “Eu sou a ressurreição. Quem crê em mim, ainda que morra, viverá. E quem vive e crê em mim jamais morrerá” (Jo 11,25-26). Também Maria faz o mesmo desabafo: “Senhor, se estivesses aqui, meu irmão não teria morrido” (Jo 11,32). Então Jesus se comove e chora quando as vê chorar. O texto é de uma alta teologia, mas apresenta a proximidade de Jesus, a sua humanidade, a sua proximidade mediante a dor, o sofrimento das amigas. Ele se comove, sente a morte do amigo.
Jesus agora pergunta: Onde o colocaste? Respondem: Senhor, vem e vê. Jesus, de novo, chora. É uma narrativa cheia de fé e emoção, pois expressa a dor que o Senhor sente quando a morte bate à porta dos seus amigos de Betânia. Jesus manda retirar a pedra. Marta ainda objeta: “Senhor, já cheira mal, é o quarto dia”. Jesus ergue os olhos e dá graças porque o Pai o ouve e grita: “Lázaro, vem para fora”. E Lázaro vem para fora.

Jesus manda desatá-lo e deixá-lo ir. Jesus é o Filho de Deus que coloca a sua divindade, com proximidade, a serviço dos homens, de forma especial nos seus sofrimentos. É aquele que se revela aqui, como Senhor da morte. Jesus não se assusta diante da morte do amigo, mas vai até Betânia e, de forma senhoril, ressuscita Lázaro. A ressurreição de Lázaro revela ao homem e à mulher de fé que não é a morte que diz a última palavra, mas Jesus, que é ressurreição, que é vida.

(Mensagem Veiculada no Folheto Litúrgico da Arquidiocese Metropolitana de Brasília de 22 de março de 2026 - DOWNLOAD disponível no link abaixo)
P.S. – Leituras da Semana / Informativo O Povo de Deus
Seg.: Dn 13,1-9.15-17.19-30.33-62 ou mais breve: Dn 13,41c-62; Sl 22(23), 1-3a.3b-4.5.6; Jo 8,1-11;
Ter.: Nm 21,4-9; Sl 101(102), 2-3.16-18.19-21; Jo 8,21-30;
Qua.: Is 7,10-14; 8,10; Sl 39(40), 7-8a.9.10.11-12a.13; Hb 10,4-10; Lc 1,26-38.
Anunciação do Senhor
Qui.: Gn 17,3-9; Sl 104(105), 4-5.6-7.8-9; Jo 8,51-59;
Sex.: Jr 20,10-13; Sl 17(18), 2-3a.3bc-4.5-6.7; Jo 10,31-42;
Sáb.: Ez 37,21-28; Cant.: Jr 31,10.11-12ab.13; Jo 11,45-56.





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